{"id":2773,"date":"2017-03-26T23:02:03","date_gmt":"2017-03-27T02:02:03","guid":{"rendered":"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/?page_id=2773"},"modified":"2022-09-18T22:25:37","modified_gmt":"2022-09-19T01:25:37","slug":"entrevista-arte-londrina","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/en\/hilda-de-paulo\/citacoes\/entrevista-arte-londrina\/","title":{"rendered":"&#8221;Entrevista com Paulo Aureliano da Mata&#8221; &#8211; Arte Londrina 5: &#8220;O Teu Corpo \u00e9 Luta&#8221;, Divis\u00e3o de Artes Pl\u00e1sticas, Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-2988 size-full\" title=\"Arquivo pessoal de Paulo Aureliano da Mata.\" src=\"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/ciawp\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/paulo-a-da-mata-foto.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"680\" srcset=\"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/ciawp\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/paulo-a-da-mata-foto.jpg 960w, http:\/\/ciaexcessos.com.br\/ciawp\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/paulo-a-da-mata-foto-300x213.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\">Arquivo pessoal de Paulo Aureliano da Mata<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Entrevista em 15 de mar\u00e7o de 2017.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>1) COMO UM TRABALHO COME\u00c7A?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Um trabalho come\u00e7a como uma figura solit\u00e1ria a olhar a paisagem infinita \u2013 tomo a pintura <em>Composi\u00e7\u00e3o (Figura S\u00f3)<\/em>, de Tarsila do Amaral, para iconogr\u00e1fica e metaforicamente localizar-me no meu processo em arte. A par\u00e1frase constru\u00edda a partir da senten\u00e7a bradada \u00e0s autoridades francesas por Gustave Flaubert diante da censura e da pol\u00eamica da sua personagem Emma Bovary, \u201cLivro da Mata Sou Eu, Por Mim Mesmo!\u201d, \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o que utilizo para materializar esse meu modelo metodol\u00f3gico de pesquisa em arte. N\u00e3o procuro conscientemente como resultado final a produ\u00e7\u00e3o de obras de arte por si s\u00f3; o que mais me interessa nesse meu processo art\u00edstico \u00e9 a expectativa de aprender muito. Perpasso, assim, em outros campos do conhecimento humano, muito embora n\u00e3o deixe de desempenhar investiga\u00e7\u00f5es em arte. Assumo-me, desse modo, como escritor na procura de narrativas h\u00edbridas entre fic\u00e7\u00e3o e realidade. Torna-se igualmente imposs\u00edvel nessa busca definir onde cada elemento se inicia e se finaliza. \u00c9, portanto, um projeto de ascens\u00e3o nascido no meu corpo, que \u00e9 conduzido por meus tra\u00e7os biogr\u00e1ficos \u00e0s minhas cria\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e finalizado numa transforma\u00e7\u00e3o pessoal e, possivelmente, coletiva.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>2) QUE ARTISTAS OU TE\u00d3RICAS(OS) VOC\u00ca CONSIDERA IMPORTANTES? POR QU\u00ca?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Estou empenhado em investigar os universos das artistas Lo\u00efe Fuller e Carolee Schneemann, figuras que considero tamb\u00e9m importantes para esse meu momento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Embora fosse uma grande celebridade em Paris na transi\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XIX para o XX, Lo\u00efe Fuller tornou-se uma figura quase esquecida desde sua morte em 1928. Seu universo \u00e9 rodeado por \u201cdesinforma\u00e7\u00f5es\u201d, mas a grande quantidade de objetos de arte produzidos durante sua vida e que possuem sua imagem permanece como prova tang\u00edvel de sua popularidade e fama. O objetivo dessa minha investiga\u00e7\u00e3o \u2013 tanto para a autobiografia dela em portugu\u00eas que estou a organizar junto com Tales Frey como para o solo de dan\u00e7a que estou a produzir \u2013 \u00e9 verificar as significantes contribui\u00e7\u00f5es que ela realizou no mundo da arte ao deixar um grande legado de beleza e movimento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">J\u00e1 Carolee Schneemann \u00e9 um tesouro vivo!!! Visto que vivemos em um mundo-normativo-patriarcal-sexista-machista-falocr\u00e1tico-mis\u00f3gino-androc\u00eantrico, ela continua a ser uma luz ofuscante, um ponto de refer\u00eancia, para aquelXs poucXs artistas e escritorXs que tentam desconstruir as trevas da cultura dominante. \u00c9 uma artista vision\u00e1ria que nunca se encaixou t\u00e3o bem dentro de sua \u00e9poca, mas que torna-se t\u00e3o urgente e necess\u00e1ria para a reflex\u00e3o do momento atual.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>3) O QUE VOC\u00ca EST\u00c1 LENDO?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Estou lendo diversos livros por conta da minha disserta\u00e7\u00e3o-di\u00e1rio, como <em>Viagem Solit\u00e1ria: Mem\u00f3rias de um Transexual Trinta Anos Depois<\/em>, de Jo\u00e3o W. Nery (S\u00e3o Paulo: Leya, 2011); <em>Transfeminismo: Teorias e Pr\u00e1ticas<\/em>, de Jaqueline Gomes de Jesus (org.) (Rio de Janeiro: Metanoia, 2015); <em>Teoria King Kong<\/em>, de Virginie Despentes (S\u00e3o Paulo: n-1 Edi\u00e7\u00f5es, 2016); entre outros.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">E, paralelamente, estou a ler o livro <em>Quarto de Despejo: Di\u00e1rio de uma Favelada<\/em>, de Carolina Maria de Jesus (S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 2014).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>4) QUE TIPO DE COISA CHAMA SUA ATEN\u00c7\u00c3O NO MUNDO?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 dif\u00edcil responder a essa pergunta, mas, quando a li pela primeira vez, pensei em livros. De certa maneira, sou fascinado por livros, sejam eles empilhados em casa, em bibliotecas ou nas livrarias, editados ou lidos por mim&#8230; Certa vez escrevi em uma carta para um hipot\u00e9tico arquiteto Oscar Niemeyer sobre esse universo que chama a minha aten\u00e7\u00e3o no mundo: \u201cEscrevi na p\u00e1gina 61 de seu livro <em>As Curvas do Tempo<\/em>: \u2018Voc\u00ea j\u00e1 pensou quantos livros existem no mundo, e quantos mundos existem neles? E nem sequer visitaremos um por cento desses lugares\u2026\u2019 Pois, ent\u00e3o, estou lendo como voc\u00ea, como quem nada sabe e tudo quer aprender.\u201d H\u00e1 no livro do Fernando B\u00e1ez, <em>Hist\u00f3ria Universal da Destrui\u00e7\u00e3o dos Livros<\/em>\u00a0(Lisboa: Texto Editores, 2009), muitas hist\u00f3rias que me entristecem e, ao mesmo tempo, me orgulham, como foi a do destino da Biblioteca Universit\u00e1ria de Sarajevo, que foi bombardeada pelos s\u00e9rvios mesmo com a sinaliza\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio cultural na noite de 25 de agosto de 1992. Grande parte infelizmente se perdeu no inc\u00eandio, mas, felizmente, amantes dos livros e bombeiros formaram uma longa corrente humana para salvarem alguns livros. \u00c9 como o s\u00e1bio catal\u00e3o no livro <em>Cem Anos de Solid\u00e3o<\/em>, de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, disse: \u201cO mundo estar\u00e1 fodido de vez no dia em que os homens viajarem em primeira classe e a literatura no vag\u00e3o de carga.\u201d (Lisboa: Publica\u00e7\u00f5es Dom Quixote, 2009, p. 405)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>5) O QUE VOC\u00ca EST\u00c1 PRODUZINDO AGORA?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Por ora, estou produzindo a parte pr\u00e1tica e finalizando a parte te\u00f3rica da minha disserta\u00e7\u00e3o-di\u00e1rio <em>N\u00e3o \u00c9 Trava, Nem Traveco! Respeita as (e N\u00e3o os) Travestis e Transexuais. E \u00c9 Gisberta, Meu Amor!<\/em>. Finalizo-a com a exposi\u00e7\u00e3o \u201cNome Social\u201d, que incluir\u00e1 os desdobramentos constru\u00eddos a partir da reflex\u00e3o do percurso da obra <em>Eu Gisberta<\/em>\u00a0(2015).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Tamb\u00e9m estou a concluir, juntamente com o meu parceiro de vida, Tales Frey, a organiza\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas da autobiografia <em>Quinze Anos de Minha Vida<\/em>, de Lo\u00efe Fuller, a qual ser\u00e1 publicada pela eRevista Performatus em parceria com editora brasileira NAU, que, em consequ\u00eancia, me fez come\u00e7ar um projeto de dan\u00e7a chamado <em>E Eu tamb\u00e9m sou Lo\u00efe Fuller!<\/em>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Ainda estou a organizar e \u201ccurar\u201d a Mostra Performatus #2, tamb\u00e9m com o Tales, para acontecer entre os dias 01\u00a0a 09 de julho\u00a0desse ano no SESC Santos, onde iremos reunir diversas pessoas que transitam com suas produ\u00e7\u00f5es pela arte da performance.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Termino igualmente, e espero ser nesse ano ainda, o pol\u00edptico fotogr\u00e1fico <span style=\"color: #4478ca;\"><em>Elma \u00c7ay\u0131 que Marca Meu Destino<\/em><\/span>, que arranjo desde 2013 depois de uma autorresid\u00eancia art\u00edstica na Turquia; o v\u00eddeo <em>El Canto del Minotauro<\/em>\u00a0e a m\u00e1quina de metamorfosear-me em Minotauro; e, por fim, a parte tr\u00eas da s\u00e9rie aus\u00eancia de P\u00e1ll J\u00f3nsson, que iniciei em uma outra resid\u00eancia art\u00edstica, na Isl\u00e2ndia, entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">E estou a \u201cemprestar\u201d meu corpo para as performances <em>Sem T\u00edtulo<\/em>\u00a0(1995), de Erwin Wurm, na exposi\u00e7\u00e3o \u201cdo it\u201d, de Hans-Ulrich Obrist, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto; e <em>Estar a Par<\/em>\u00a0(2017), de Tales Frey, no Athens Museum of Queer Arts (AMOQA) de Atenas; a \u201ccurar\u201d as exposi\u00e7\u00f5es individuais de Ana Seixas e Renan Marcondes no Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura na cidade de Guimar\u00e3es; a preparar as obras para uma exposi\u00e7\u00e3o coletiva que integro na Bienal de Gaia II e uma outra no Centro Cultural da Justi\u00e7a Federal no Rio de Janeiro; e, por fim, a preparar a nova edi\u00e7\u00e3o da <em>eRevista Performatus<\/em>.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>6) QUE SITES VOC\u00ca COSTUMA VER?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Eu sigo v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es de arte, jornais, blogues etc. no meu Twitter e, depois, visualizo todo o conte\u00fado em forma de revista pelo aplicativo Flipboard no iPad ou na pr\u00f3pria timeline do Facebook, onde quase n\u00e3o sigo nenhuma pessoa por querer ver somente esse conte\u00fado. N\u00e3o tenho necessariamente um site espec\u00edfico que consulto e n\u00e3o vou fantasiar escrevendo, para n\u00e3o ser hip\u00f3crita, que s\u00f3 consulto \u201ccoisas s\u00e9rias\u201d na internet. Visito alguns sites como o do jornal portugu\u00eas <em>O P\u00fablico<\/em>, o da revista <em>Carta Capital<\/em>, o <em>Serebii<\/em>\u00a0de not\u00edcias do universo do desenho animado <em>Pok\u00e9mon<\/em>\u00a0etc. Para a constru\u00e7\u00e3o da cartografia da minha s\u00e9rie <span style=\"color: #5e3b1c;\"><em>El Minotauro<\/em><\/span>\u00a0e por consumo tamb\u00e9m pr\u00f3prio, por exemplo, visito infinitos tipos de sites de pornografia, como \u201cQueer me Now\u201d, \u201cXVideos\u201d, \u201cPornhub\u201d etc., caso n\u00e3o tenha como seguir pelo Twitter ou Facebook.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>7) QUE M\u00daSICAS VOC\u00ca OUVE?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Eu tenho uma mania de escutar repetida e exaustivamente alguns \u00e1lbuns at\u00e9 cansar e depois passo para outros. N\u00e3o tenho necessariamente algum estilo de prefer\u00eancia para ouvir. Simplesmente ou\u00e7o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">No momento, estou dividido entre as trilhas sonoras dos filmes <em>Suspiria<\/em>\u00a0(1977), do cineasta Dario Argento, concebida pela banda Goblin, e <em>Animais Noturnos<\/em>\u00a0(2016), do cineasta Tom Ford, idealizada pelo compositor Abel Korzeniowski; os \u00e1lbuns <em>M\u00e1vastelli\u00f0<\/em>\u00a0(1983), da banda Gr\u00fdlurnar, <em>Mulher<\/em>\u00a0(2015), do grupo As Bahias e a Cozinha Mineira, <em>Tropix<\/em>\u00a0(2016), da C\u00e9u, <em>Traigo un Pueblo en Mi Voz<\/em>\u00a0(1973), da Mercedes Sosa, <em>Shoot Your Shot: Best Of Divine<\/em>\u00a0(2012), da Divine, <em>Baby Sucessos: A Menina Ainda Dan\u00e7a<\/em>\u00a0(2015), da Baby do Brasil, <em>\u00a1C\u00f3mo Est\u00e1 el Servicio&#8230; de Se\u00f1oras!<\/em>\u00a0(1983), do grupo Almod\u00f3var &amp; McNamara, <em>Parte II<\/em>\u00a0(2001), da cantora Nila Branco, <em>L\u2019\u00c9tonnant Serge Gainsbourg<\/em>\u00a0(1961), do Serge Gainsbourg, <em>Marysia Biesiadna<\/em>\u00a0(1994), da Maryla Rodowicz, <em>Queen of Siam<\/em>\u00a0(1980), da Lydia Lunch, e <em>Junk<\/em>\u00a0(2016), da banda M83.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Gostei muito tamb\u00e9m de conhecer recentemente a m\u00fasica <em>Amar Pelos Dois<\/em>\u00a0(2017), do portugu\u00eas Salvador Sobral, e tor\u00e7o muito para que ele ganhe o Festival Eurovis\u00e3o da Can\u00e7\u00e3o desse ano.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>8) QUE EXPERI\u00caNCIA(S) COM ARTE FOI IMPORTANTE PARA VOC\u00ca?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Uma dessas experi\u00eancias est\u00e9ticas importantes foi o \u201cencontro das dores\u201d com a minha amiga artista maravilhosa Suzana Queiroga. Emociono-me sempre com sua produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica confessional, seja pela videoperformance <em>Olhos d\u2019\u00c1gua<\/em>\u00a0(2013), seja pelo tr\u00edptico <em>Vida Secreta<\/em>\u00a0(2013), entre outras. Reflito e encontro a artista em mim em consequ\u00eancia; defino-a como uma das principais refer\u00eancias de constru\u00e7\u00e3o do meu projeto est\u00e9tico <em>Livro da Mata<\/em>. Toda nossa trajet\u00f3ria do \u201cencontro das dores\u201d est\u00e1 documentada por mim em uma entrevista que ela cedeu-me outrora (veja em: MATA, Paulo Aureliano da. \u201c\u2018Voc\u00ea Tem o Pincel, Tem Suas Tintas, Pinte o Para\u00edso e Depois Entre Nele\u2019: Uma Entrevista Perform\u00e1tica com Suzana Queiroga\u201d; In: <em>eRevista Performatus<\/em>, Inhumas, ano 1, n. 6, set. 2013).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Outro momento que me marcou muito foi a delirante leitura do corrosivo romance <em>Apocalipse Baby<\/em>, de Virginie Despentes (Porto: Sextante Editora, 2011), que conta uma hist\u00f3ria em torno da investiga\u00e7\u00e3o feita pelas detetives Lucie Toledo e Hiena para descobrir pistas do desaparecimento da adolescente Valentine. Despentes prendeu-me a cada palavra que lia e o final desse livro foi surpreendentemente como um soco em meu est\u00f4mago. Tamb\u00e9m o que me assombrou muit\u00edssimo foi me ver como Susan no filme <em>Animais Noturnos<\/em>\u00a0(2016). Fiquei uns tr\u00eas dias estranho comigo mesmo pensando: \u201cok, fa\u00e7o trinta anos daqui a pouco, cheguei at\u00e9 aqui e \u00e9 o que eu pensava querer quando estava com meus vinte anos?\u201d. Mais tr\u00eas experi\u00eancias est\u00e9ticas interessantes que me recordo foram: visitar a exposi\u00e7\u00e3o \u201cHilma af Klint: Painting the Unseen\u201d em Londres; assistir \u00e0 \u00f3pera <em>Einstein on the Beach<\/em>, em Montpellier; assistir ao tributo \u00e0 cantora Mercedes Sosa, que aconteceu em Buenos Aires, pelo Youtube; entre outras.<\/span><\/p>\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Arquivo pessoal de Paulo Aureliano da Mata &nbsp; Entrevista em 15 de mar\u00e7o de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":12,"menu_order":493,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-2773","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2773","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2773"}],"version-history":[{"count":22,"href":"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2773\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8548,"href":"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2773\/revisions\/8548"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/12"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2773"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}