{"id":1187,"date":"2015-09-08T00:31:40","date_gmt":"2015-09-08T03:31:40","guid":{"rendered":"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/?page_id=1187"},"modified":"2020-12-25T00:42:11","modified_gmt":"2020-12-25T03:42:11","slug":"entrevista-1","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ciaexcessos.com.br\/en\/tales-frey\/textos-entrevistas\/entrevista-1\/","title":{"rendered":"&#8221;Sobre &#8216;Dismorfofobia&#8217;: Conversa com Tales Frey&#8221;, por Rita Xavier Monteiro"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Esta entrevista de Rita Xavier Monteiro foi publicada em: <\/em>Mais Cr\u00edtica<em> (Mar\u00e7o de 2013).<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Foi no Espa\u00e7o de Interven\u00e7\u00e3o Cultural Maus H\u00e1bitos, no Porto, que Tales Frey nos interpelou, um a um (e eu tinha a rifa n\u00famero 1), \u00e0 entrada da salinha onde decorreu a performance. A voz meiga perguntava, em tom complacente, como se fosse f\u00e1cil a resposta: \u2013 Quanto mede? Qual \u00e9 o seu peso? Quer conferir? Balan\u00e7a, fita m\u00e9trica em riste e marcador na m\u00e3o direita eram oferecidos para calcular e registar as informa\u00e7\u00f5es de cada um dos espectadores. \u2013 N\u00e3o \u00e9 preciso\u2026, respondia um ou outro visitante. \u2013 Vou confiar \u2013 respondia Tales. Houve quem conferisse, houve tamb\u00e9m quem ficcionasse.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Em sua pesquisa e experimenta\u00e7\u00e3o art\u00edstica, Tales Frey diz-se movido pelo hibridismo art\u00edstico, apresentando propostas que se movimentam entre as modalidades do teatro, videoarte, performance, videoperformance e fotografia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Com Paulo Aureliano da Mata, ambos brasileiros que vivem e trabalham em Portugal, funda, em 2008, a Cia. Excessos, desenvolvendo uma ponte criativa entre os dois lados do atl\u00e2ntico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Em\u00a0<em>Dismorfofobia,\u00a0<\/em>inserida no projeto T\u00f4mbola Show, comissariado por Marta Bernardes, as rifas vendidas prometiam a celebra\u00e7\u00e3o de uma beleza sorteada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A performance fala-nos de como o imp\u00e9rio colorido das estrelas de cinema, das\u00a0<em>misses<\/em>, das manequins, do\u00a0<em>star-system<\/em>\u00a0e da sociedade de media\u00e7\u00e3o sensacionalista tomou o territ\u00f3rio de todos os nossos desejos, sujeitando-nos a uma obedi\u00eancia solit\u00e1ria ao jogo de mercado: o de experimentar o corpo e a vida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Num processo de fragmenta\u00e7\u00e3o e desconstru\u00e7\u00e3o que irrompe tamb\u00e9m da fus\u00e3o das modalidades art\u00edsticas, Tales pensa os corpos inadaptados e inadequados para problematizar a autorrepresenta\u00e7\u00e3o na arte e na constru\u00e7\u00e3o da identidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Diante de telas e espelhos distorcidos, num esfor\u00e7o do eu descobrir-se a si pr\u00f3prio,<em>\u00a0Dismorfofobia<\/em>\u00a0\u00e9 a met\u00e1fora especular de um Narciso enganado pelo seu reflexo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>RITA XAVIER MONTEIRO<\/strong>: Durante a performance, pensei em Le Breton, quando diz que na contemporaneidade o espa\u00e7o que separa o homem do seu corpo se estendeu. Tens vindo a trabalhar a consci\u00eancia identit\u00e1ria e de corpo pr\u00f3prio na sua rela\u00e7\u00e3o com padr\u00f5es culturais e sociais. Enquanto performer, interessa-te, sobretudo, o questionamento da sociedade atual?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>TALES FREY<\/strong>:\u00a0Nas figura\u00e7\u00f5es art\u00edsticas que tenho proposto, sejam elas concretizadas atrav\u00e9s de uma performance, de uma s\u00e9rie fotogr\u00e1fica, de uma videoarte, de um espet\u00e1culo h\u00edbrido, ou o que for, eu tenho sim me dedicado \u00e0s quest\u00f5es presentes no meu cotidiano, portanto abordo como tema, fatalmente, a sociedade atual.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Dismorfofobia<\/em>, por exemplo, \u00e9 uma performance na qual re\u00fano um punhado de discursos oriundos dos variados meios com os quais temos contato diariamente. Retirei da minha caixa de e-mail alguns \u201cspams\u201d que emergem com seus chamarizes \u201cmilagrosos\u201d, como, por exemplo, \u201cperca 10 quilos em uma semana\u201d, ou ainda, \u201caumente o tamanho do seu p\u00eanis\u201d. Receitas de dietas, promo\u00e7\u00f5es em aplica\u00e7\u00f5es de silicone, de implantes corporais diversos, aplica\u00e7\u00f5es de botox etc. Isso revela uma sociedade pouco confort\u00e1vel com a forma natural dos corpos que a preenchem, uma sociedade formada por sujeitos que est\u00e3o insatisfeitos com suas pr\u00f3prias imagens. Essas propagandas evidenciam o quanto o sujeito atual est\u00e1 preocupado com a autoimagem e como o mercado funciona com rela\u00e7\u00e3o a isso. Vejo corpos que podem literalmente buscar determinadas modifica\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s da compra (em at\u00e9 10 vezes no cart\u00e3o e sem juros).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Engra\u00e7ado notar essa busca incessante por uma individualidade, por uma constru\u00e7\u00e3o de uma exclusividade e, ao mesmo tempo, por uma reprodu\u00e7\u00e3o de um determinado ideal (ideia que pressup\u00f5e r\u00e9plica), o que acaba por ser contradit\u00f3rio. Isso tudo est\u00e1 expl\u00edcito em\u00a0<em>Dismorfofobia<\/em>. Modelos de beleza s\u00e3o ditados pelo universo medi\u00e1tico e seguidos \u00e0 risca pela sociedade atual, escrava dos corpos magros e de todo padr\u00e3o que lhe garanta uma maior aceita\u00e7\u00e3o social. Tenho procurado subverter essas ideias nos meus trabalhos e me esfor\u00e7ado para que elas surtam algum efeito nos espectadores\/participantes\/receptores que est\u00e3o presentes nas exibi\u00e7\u00f5es das minhas cria\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>RITA XAVIER MONTEIRO<\/strong>: Em\u00a0<em>Dismorfofobia<\/em>\u00a0h\u00e1 um jogo interessante entre a beleza real e a ficcionada que convoca este dist\u00farbio psicol\u00f3gico e a ideia de corpo perfeito veiculado pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o. De que forma tais quest\u00f5es s\u00e3o abordadas na pe\u00e7a?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>TALES FREY<\/strong>:\u00a0Primeiramente, escrevi um texto. Uma narrativa desvirtuada, sem coes\u00e3o nas constru\u00e7\u00f5es das frases. Um discurso esquizofr\u00eanico. Nesse discurso enviesado, imprimi o arsenal de \u201clixos ps\u00edquicos\u201d que s\u00e3o cotidianamente absorvidos dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Fa\u00e7o, por vezes, discursos contra essa cultura doentia que segue os padr\u00f5es corporais ditados sem nenhum filtro, ao mesmo tempo que exponho, de forma ir\u00f4nica, \u00e9 claro, discursos de apologia \u00e0 anorexia e \u00e0 bulimia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Dismorfofobia\u00a0<\/em>\u00e9 a s\u00edndrome da distor\u00e7\u00e3o da imagem, ou seja, corresponde a um dist\u00farbio de sujeitos que n\u00e3o se veem como realmente s\u00e3o e nunca est\u00e3o satisfeitos com suas formas naturais e, mesmo alterando-as, continuar\u00e3o insatisfeitos. N\u00e3o estaria a sociedade atual completamente disposta a assumir tal dist\u00farbio quando esta est\u00e1 formada por tantos indiv\u00edduos que descartam as pr\u00f3prias apar\u00eancias em prol de um consumo descontrolado de imagens vigentes na televis\u00e3o, nos\u00a0<em>outdoors<\/em>, nas revistas e editoriais de moda?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Pensando nisso, pedi para cinco artistas (que participaram da performance) revelarem o que n\u00e3o aprovavam em seus corpos. Em seguida, pedi que me apresentassem imagens dos seus referenciais de beleza e, sem me surpreender, quase todas as imagens eram de pessoas magras e que se enquadravam nos moldes estipulados por \u201cbelos\u201d (considerando o senso comum da atual sociedade, que contempla o padr\u00e3o europeu de apar\u00eancia).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Juntei tais imagens dos referenciais que esses artistas me mostraram para, ent\u00e3o, criar placas de espelhos com o contorno de cada um dos referenciais, exatamente na pose que eles se encontravam na imagem apresentada. O resultado foi o de uma figura geom\u00e9trica, pois inclu\u00ed o vestu\u00e1rio dos referenciais no recorte dessas formas espelhadas. A altura de cada espelho correspondeu \u00e0 altura de cada um dos performers. Propus, da\u00ed, que os cinco artistas (que colaboraram como performers nesse trabalho), desfilassem por tr\u00e1s de uma tela branca de forma mec\u00e2nica, projetando ent\u00e3o sombras de corpos estranhos, quase rob\u00f3ticos, p\u00f3s-humanos, timbrados em cores vibrantes pelo aux\u00edlio da combina\u00e7\u00e3o RGB de ilumina\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Na pe\u00e7a, o p\u00fablico permaneceu entre duas telas, quase n\u00e3o tinha contato direto com os performers da a\u00e7\u00e3o, sendo uma tela a que foi descrita e, a outra, uma tela transparente com a proje\u00e7\u00e3o de um v\u00eddeo em que arrumo o cabelo de forma fren\u00e9tica durante sete minutos. Eu, no plano ao vivo, tento fixar a imagem em movimento, construo uma nova imagem enquanto destruo a imagem antiga do v\u00eddeo, cujo instrumento para tal feitio \u00e9 a mesma tinta que tinge cada fio de cabelo meu antes de dar in\u00edcio \u00e0 a\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Nas duas telas, ao contr\u00e1rio das telas de cinema, de televis\u00e3o, das imensas superf\u00edcies de\u00a0<em>outdoors<\/em>, procurei expor corpos deformados, transfigurados, que eram distorcidos sob o \u00e1udio que continha a narrativa textual. A minha voz a narrar tamb\u00e9m foi apresentada de forma adulterada. Nada era natural e isso coincide com as imagens bidimensionais que nos servem como referenciais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O \u201critual de passagem\u201d que estabeleci na entrada era justamente para expor a dificuldade que cada indiv\u00edduo tem ao falar de dados concretos que formam sua apar\u00eancia. O peso, a altura, enfim, as medidas corporais, parecem ser tabu, mesmo estando ali, diante de nossos olhos, imagens corporais que naturalmente correspondem a tais medidas, que, inclusive, j\u00e1 s\u00e3o previstas. Mesmo assim, havia quem mentisse altura e peso e que n\u00e3o se rendia \u00e0 confer\u00eancia na balan\u00e7a e na fita m\u00e9trica que ali dispus. \u00c9 a ideia do corpo perfeito que faz existir essa neurose generalizada. Neurose que foi impiedosamente (embora de forma sutil) explanada antes de iniciar a pe\u00e7a. Queria que os espectadores percebessem alguma mudan\u00e7a entre o antes da a\u00e7\u00e3o e o depois da a\u00e7\u00e3o. Queria que o espet\u00e1culo funcionasse com o poder de efic\u00e1cia de um ritual que conjetura transforma\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>RITA XAVIER MONTEIRO<\/strong>: De um lado, o desfile de corpos por tr\u00e1s de uma tela, exibindo roupagens geom\u00e9tricas e sorrisos for\u00e7ados. Do outro, est\u00e1s tu e um v\u00eddeo onde te autorretratas. Inicias ent\u00e3o essa \u201cfixa\u00e7\u00e3o da imagem em movimento\u201d por meio da mancha de tinta negra. Como se tra\u00e7asses a tua pr\u00f3pria exist\u00eancia e a dilu\u00edsses, ao mesmo tempo, numa figura humana sem nome. O p\u00fablico est\u00e1 no meio. H\u00e1 duas faces da mesma realidade: a do artista e a do mundo medi\u00e1tico que o rodeia. Queres esclarecer um pouco melhor essa rela\u00e7\u00e3o?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>TALES FREY<\/strong>:\u00a0H\u00e1 realmente o choque das duas faces da mesma realidade, sendo que a do artista \u00e9 sustentada pela fun\u00e7\u00e3o de revelar, de se manifestar, de ironizar, de formar opini\u00e3o a respeito de algo e, de outro lado, a desse mundo medi\u00e1tico a que voc\u00ea se refere, mundo que exerce fasc\u00ednio, que quer persuadir, que quer encantar, cativar, atrair, conquistar adeptos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Enquanto artista, a minha rela\u00e7\u00e3o \u00e9 a de intermediar, \u00e9 exercer a fun\u00e7\u00e3o de mediador entre uma face e outra, sendo que funciono como receptor das mesmas informa\u00e7\u00f5es que todos os demais sujeitos recebem, mas tenho um especial papel que \u00e9 o de fazer pensar sobre o que absorvemos. Assim faz o artista, o soci\u00f3logo, o antrop\u00f3logo, o fil\u00f3sofo e todos que tenham que refletir sobre condutas humanas e rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>RITA XAVIER MONTEIRO<\/strong>: H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel da autorrepresenta\u00e7\u00e3o e um car\u00e1cter performativo em teus trabalhos restantes. Podes falar um pouco da proje\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie\u00a0<em>Videopolaroid\u00a0<\/em>e no teu interesse em explorar v\u00e1rias modalidades art\u00edsticas?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>TALES FREY<\/strong>:\u00a0H\u00e1 tempos que queria expor essa s\u00e9rie de v\u00eddeos intitulada\u00a0<em>Videopolaroid<\/em>, onde reuni seis v\u00eddeos em que revelo a a\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 da imagem fotogr\u00e1fica, ou seja, todo espa\u00e7o percorrido no local escolhido, as propostas de poses e todo processo de cria\u00e7\u00e3o at\u00e9 a imagem est\u00e1tica. Comecei esse trabalho em 2009, em Buenos Aires.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Por ser um trabalho apoiado na contraposi\u00e7\u00e3o do anal\u00f3gico e digital, os v\u00eddeos t\u00eam um tom caseiro, pois s\u00e3o feitos com c\u00e2meras digitais, as quais produzem imagens com excesso de pixel, algo que n\u00e3o me incomoda minimamente e que dialoga muito bem com a ideia proposta, penso eu.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Fa\u00e7o, nessa concep\u00e7\u00e3o, a jun\u00e7\u00e3o da imagem em movimento com a imagem im\u00f3vel, um registro em v\u00eddeo do registro fotogr\u00e1fico (um registro do registro). Fa\u00e7o, nesse trabalho, prevalecer a pilh\u00e9ria, o deboche e exploro situa\u00e7\u00f5es infames, mas tamb\u00e9m um universo\u00a0<em>trash\u00a0<\/em>e sombrio. \u00c9 um trabalho bem-humorado e, talvez, um dos mais leves nesse aspecto com rela\u00e7\u00e3o a todos os outros que criei at\u00e9 hoje.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Esta entrevista de Rita Xavier Monteiro foi publicada em: Mais Cr\u00edtica (Mar\u00e7o de 2013). 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