{"id":16,"date":"2015-08-12T21:31:19","date_gmt":"2015-08-12T21:31:19","guid":{"rendered":"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/ciawp\/?page_id=16"},"modified":"2022-09-18T22:23:46","modified_gmt":"2022-09-19T01:23:46","slug":"texto-1","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ciaexcessos.com.br\/en\/hilda-de-paulo\/citacoes\/texto-1\/","title":{"rendered":"&#8221;Seis Manifestos Irrevog\u00e1veis sobre a Pele de Paulo Aureliano da Mata&#8221;, de Julia Pelison"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o \u00e9 exclusivamente sobre o peso da fugacidade da exist\u00eancia que Paulo Aureliano da Mata pondera quando submete a sua pr\u00f3pria pele \u00e0s v\u00e1rias perfura\u00e7\u00f5es de agulhas que permitem a passagem das tintas e garantem seu corpo preenchido por uma nova tonalidade numa \u00e1rea espec\u00edfica. Suas m\u00faltiplas dermopigmenta\u00e7\u00f5es conceituadas como arte carregam diversos discursos que ultrapassam o questionamento sobre o \u201ceterno\u201d, sobre o \u201cpara sempre\u201d e, no extremo oposto, sobre a efemeridade da vida.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-449 size-large\" title=\"Paulo Aureliano da Mata (Cia. Excessos), &quot;Homenagem a Oscar Niemeyer&quot; (Pol\u00edptico), do &quot;Cap\u00edtulo cinco: Homenagem a Oscar Niemeyer&quot;, do &quot;Livro da Mata&quot;. Body art realizada na cidade de S\u00e3o Paulo, Brasil. Abril de 2014. Fotografias de Tales Frey.\" src=\"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/ciawp\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Oscar-Niemeyer-Paulo-Aureliano-da-Mata-1024x144.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"90\" \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\">Paulo Aureliano da Mata (Cia. Excessos), <span style=\"color: #e12728;\"><b>Homenagem <\/b><b>a Oscar Niemeyer <\/b><\/span>(Pol\u00edptico), do <i>Cap\u00edtulo <\/i><i>cinco: <\/i><span style=\"color: #e12728;\"><i>Homenagem a <\/i><i>O<\/i><i>scar Niemeyer<\/i><\/span>, do <i>Livro da Mata<\/i>. <em>Body art<\/em> realizada na cidade de S\u00e3o Paulo, Brasil. Abril de 2014. Fotografias de Tales Frey<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Absolutamente, os trabalhos de <em>body art<\/em> (ou simplesmente arte do corpo) de Paulo Aureliano n\u00e3o se restringem \u00e0s lac\u00f4nicas interpreta\u00e7\u00f5es de que, ao modificar seu corpo por meio da tatuagem, ele queira fazer perpetuar uma determinada \u00e1rea (de)composta do seu corpo, como se essa parte especial da sua pele nunca fosse se transformar com o tempo, funcionando como uma integral met\u00e1fora da imortalidade, denotando uma vida que persiste dur\u00e1vel. Mas essa precipitada hip\u00f3tese \u00e9 desmoronada j\u00e1 na avalia\u00e7\u00e3o do seu trabalho de <em>body art<\/em> intitulado <span style=\"color: #e12728;\"><i>Homenagem a <\/i><i>O<\/i><i>scar Niemeyer<\/i><\/span>\u00a0(2014), o qual corresponde \u00e0 palma da sua m\u00e3o tatuada de uma mancha vermelha, remetendo \u00e0 c\u00e9lebre escultura que h\u00e1 na Funda\u00e7\u00e3o Memorial da Am\u00e9rica Latina em S\u00e3o Paulo. Diferentemente de uma tatuagem composta em outras partes do corpo, a tinta resiste menos \u00e0 a\u00e7\u00e3o do tempo quando aplicada na palma da m\u00e3o, e contesta justamente a no\u00e7\u00e3o mais imediata que possu\u00edmos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 t\u00e9cnica em quest\u00e3o. O discurso desse trabalho, portanto, perpassa impress\u00f5es que desafiam as mais corriqueiras.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #e12728;\"><em>Homenagem a Oscar Niemeyer<\/em><\/span>, um conjunto de fotografias formado por onze imagens a partir do registro de um \u201critual de transforma\u00e7\u00e3o\u201d ocorrido num est\u00fadio de tatuagem, n\u00e3o por coincid\u00eancia na cidade de S\u00e3o Paulo, denota uma vis\u00e3o pol\u00edtica para al\u00e9m das linhas niemeyerianas e de suas condi\u00e7\u00f5es formais. C\u00e9tico, Paulo esquiva-se de forma pirr\u00f4nica da associa\u00e7\u00e3o \u00e0 quiromancia, apesar de criar signos para serem lidos na sua m\u00e3o; nela, \u00e9 gravada a sua pr\u00f3pria escrita a abordar a luta de classes t\u00e3o presente na Am\u00e9rica Latina, onde nasceu e passou grande parte da sua vida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Embora saibamos que na tatuagem como <em>body art<\/em> o sujeito \u00e9 o seu pr\u00f3prio objeto de arte e n\u00e3o conseguir\u00e1 deixar de s\u00ea-lo, independentemente do espa\u00e7o e do tempo em que estiver, a obra, nesse trabalho, definitivamente n\u00e3o o acompanha em sua vida, embora tenha lhe deixado resqu\u00edcios irrevers\u00edveis; o pol\u00edptico fotogr\u00e1fico \u00e9 a obra, ou seja, os registros da a\u00e7\u00e3o no est\u00fadio \u00e9 que consistem de fato esse trabalho.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Talvez essa obra seja a que melhor procura validar a tatuagem como uma vertente de import\u00e2ncia na <em>body art<\/em> quando, ironicamente, Paulo confronta sua cria\u00e7\u00e3o com tipos de trabalhos que s\u00e3o emoldurados e aprisionados num formato mais dur\u00e1vel e que, muitas vezes, s\u00e3o vistos como seguran\u00e7a mais garantida a um mercado das artes mais homog\u00eaneo e tradicional. N\u00e3o h\u00e1, com essa afirmativa, a pretens\u00e3o de dizer que, por exemplo, a pintura seja uma arte estritamente comercial. De forma alguma \u00e9 pretendida tal conota\u00e7\u00e3o. Mas, sim, h\u00e1 a finalidade de demonstrar que existe uma hierarquiza\u00e7\u00e3o nas artes em sua acep\u00e7\u00e3o mercadol\u00f3gica cl\u00e1ssica e, dentro desse contexto, a pintura a \u00f3leo, por exemplo, \u00e9 o topo da prefer\u00eancia devido \u00e0 sua perman\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A <em>body art<\/em> deve ser compreendida como um g\u00eanero da arte contempor\u00e2nea que se op\u00f5e ao mercado tang\u00edvel das artes habituais, e Paulo bem observa os atrelamentos inerentes a essa express\u00e3o art\u00edstica. Por\u00e9m o fato de ele gerar uma materializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o aprisionada ao seu corpo como o dispositivo art\u00edstico, torna poss\u00edvel a sua comercializa\u00e7\u00e3o e, nesse sentido, o trabalho vai de encontro com os interesses de mercado da arte contempor\u00e2nea e suas m\u00faltiplas especialidades, com plurais segmentos evolutivos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Em certa medida, o corpo do artista apresenta-se como um espa\u00e7o a exibir uma coesa exposi\u00e7\u00e3o individual, e o tempo dessa apresenta\u00e7\u00e3o de uma conjuntura de trabalhos \u2013 aut\u00f4nomos como tatuagens ou como marcas que documentam o que outrora serviu como principal elemento para a cria\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo ou fotografia \u2013 coincide exatamente com o tempo de vida do artista. Sob a express\u00e3o \u201carte confessional\u201d, cada obra originada por Paulo Aureliano da Mata exp\u00f5e uma rela\u00e7\u00e3o incontestavelmente autobiogr\u00e1fica e, assim, o ambiente do est\u00fadio de tatuagem cria uma analogia do confinamento do seu espa\u00e7o \u00edntimo mostrado sem paredes a enclausurar suas viv\u00eancias, as quais s\u00e3o universalizadas como arte. Nesse sentido, <span style=\"color: #6c6c6c;\"><em>Romance Violentado<\/em><\/span> (2011), outra de suas obras que envolvem tatuagem, pode ser o melhor exemplo para essa afirma\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-402 size-large\" title=\"Paulo Aureliano da Mata (Cia. Excessos), &quot;Romance Violentado&quot; (Tr\u00edptico), do &quot;Cap\u00edtulo um: Romance Violentado&quot;, do &quot;Livro da Mata&quot;. Body art realizada na cidade do Porto, Portugal. Janeiro de 2011. Fotografias de Daniel Polari.\" src=\"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/ciawp\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/romance_violentado_paulo_aureliano_da_mata-1024x239.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"149\" \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\">Paulo Aureliano da Mata (Cia. Excessos), <span style=\"color: #6c6c6c;\"><b>Romance Violentado <\/b><\/span>(Tr\u00edptico), do <i>Cap\u00edtulo um: <span style=\"color: #6c6c6c;\">Romance V<\/span><\/i><span style=\"color: #6c6c6c;\"><i>iolentado<\/i><\/span>, do <i>Livro da Mata<\/i>. <em>Body art<\/em> realizada na cidade do Porto, Portugal. Janeiro de 2011. Fotografias de Daniel Polari<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-405 size-large\" title=\"Paulo Aureliano da Mata (Cia. Excessos), &quot;Romance Violentado&quot;, do &quot;Cap\u00edtulo um: Romance Violentado&quot;, do &quot;Livro da Mata&quot;. Body art realizada na cidade do Porto, Portugal. Janeiro de 2011. Fotografia de Daniel Polari.\" src=\"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/ciawp\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/romance_violentado_paulo_aureliano_da_mata_1-1024x686.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"429\" \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\">Paulo Aureliano da Mata (Cia. Excessos),\u00a0<span style=\"color: #6c6c6c;\"><b>Romance Violentado<\/b><\/span>, do\u00a0<i>Cap\u00edtulo um: <span style=\"color: #6c6c6c;\">Romance V<\/span><\/i><span style=\"color: #6c6c6c;\"><i>iolentado<\/i><\/span>, do\u00a0<i>Livro da Mata<\/i>.\u00a0<em>Body art<\/em>\u00a0realizada na cidade do Porto, Portugal. Janeiro de 2011. Fotografia de Daniel Polari<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Muitas vezes, com base na ideia de catarse, ou seja, de expurga\u00e7\u00e3o e purga\u00e7\u00e3o, ou ainda de purifica\u00e7\u00e3o, o \u201cself\u201d de Paulo Aureliano da Mata \u00e9 frequentemente exposto e, com <span style=\"color: #6c6c6c;\"><em>Romance Violentado<\/em><\/span>, ele se prop\u00f5e a vivenciar seus dilemas e traumas, qui\u00e7\u00e1 como uma forma de supera\u00e7\u00e3o. Assim vemos para al\u00e9m da camada mais externa do seu corpo da sua subjetividade, como se sua pele fosse uma redoma transparente a exibir seu conte\u00fado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O elo estabelecido entre o artista e o espectador do seu trabalho pode ser similar ao que Arist\u00f3teles afirmou na <em>Po\u00e9tica <\/em>quando trata da \u201ccompaix\u00e3o\u201d, mas tamb\u00e9m pode ter rela\u00e7\u00f5es com o preceito freudiano de reviver os pr\u00f3prios traumas como uma forma de liberta\u00e7\u00e3o, contornando as censuras estabelecidas pelo superego. Sob uma \u00f3ptica voltada para o pensamento junguiano, o performer pode compartilhar com algu\u00e9m o que est\u00e1 perturbando e sobrecarregando o seu \u201cself\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #6c6c6c;\"><em>Romance Violentado<\/em><\/span> nada mais \u00e9 do que uma tatuagem dotada de conota\u00e7\u00e3o art\u00edstica, na qual uma organiza\u00e7\u00e3o de palavras comp\u00f5e um violento registro feito na sua pele para que o ato fosse analisado atrav\u00e9s do ve\u00edculo do v\u00eddeo e do dispositivo da fotografia, os quais s\u00e3o capazes de exprimir uma sarc\u00e1stica combina\u00e7\u00e3o de voc\u00e1bulos que traduzem uma particular frustra\u00e7\u00e3o amorosa vivida, com um agudo desejo carnal, com intenso amor somado a sua concludente ferida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O corpo \u00e9 o principal meio ou elemento para suas express\u00f5es art\u00edsticas e, por isso, sua rela\u00e7\u00e3o se d\u00e1 de forma quase intr\u00ednseca \u00e0 arte da performance. Portanto, muito embora Paulo se negue a dizer que faz arte ao vivo, <span style=\"color: #6c6c6c;\"><em>Romance Violentado<\/em><\/span> \u00e9 um trabalho que pode ser contemplado de tr\u00eas formas: atrav\u00e9s da fotografia, do v\u00eddeo e, principalmente, da pele do artista.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">H\u00e1, tamb\u00e9m, uma marca corporal pertencente a outro corpo que associou-se ao seu atrav\u00e9s do registro marcado pelas agulhas a inserirem pigmentos para timbrarem uma uni\u00e3o afetiva, como, por exemplo, a <em>body art<\/em> criada com o videoartista e performer Tales Frey, com quem Paulo \u00e9 fundador e membro da Cia. Excessos e da <em>eRevista Performatus<\/em>. Estabelecida a autoria entre ambos, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o corpo de Paulo que det\u00e9m uma determinada mancha; ou seja, o seu corpo n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-483 size-large\" title=\"Cia. Excessos (Paulo Aureliano da Mata e Tales Frey), &quot;Alian\u00e7a&quot;, do &quot;Cap\u00edtulo quatro: Alian\u00e7a&quot;, do &quot;Livro da Mata&quot;. Performance realizada em Catanduva, SP, Brasil. Mar\u00e7o de 2013. Fotografias de Gustavo Rosa Fontes, Nath\u00e1lia Mello e Paola Frey.\" src=\"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/ciawp\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Alian\u00e7a_Cia_Excessos-1024x236.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"148\" \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\">Cia. Excessos (Paulo Aureliano da Mata e Tales Frey),\u00a0<span style=\"color: #d84a00;\"><strong>Alian\u00e7a<\/strong><\/span>, do\u00a0<em>Cap\u00edtulo quatro:\u00a0<span style=\"color: #d84a00;\">Alian\u00e7a<\/span><\/em>, do\u00a0<em>Livro da Mata<\/em>. Performance realizada em Catanduva, SP, Brasil. Mar\u00e7o de 2013. Fotografias de Gustavo Rosa Fontes, Nath\u00e1lia Mello e Paola Frey<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1371 size-large\" title=\"Cia Excessos (Paulo Aureliano da Mata e Tales Frey), frame de &quot;Compromisso&quot;, do &quot;Cap\u00edtulo onze: Compromisso&quot;, do &quot;Livro da Mata&quot;, 2015.\" src=\"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/ciawp\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Compromisso-Cia-Excessos-Paulo-Aureliano-da-Mata-Tales-Frey-2-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\">Cia Excessos\u00a0(Paulo Aureliano da Mata\u00a0e\u00a0Tales Frey), frame de <span style=\"color: #cc9900;\"><strong>Compromisso<\/strong><\/span>,\u00a0do <em>Cap\u00edtulo onze: <span style=\"color: #cc9900;\">Compromisso<\/span><\/em>, do <em>Livro da Mata<\/em>, 2015<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Paulo Aureliano da Mata e Tales Frey casaram-se em mar\u00e7o de 2013 e, juntos, conceberam a tal uni\u00e3o como um evento de performance ao vivo, o qual foi intitulado <span style=\"color: #d84a00;\"><em>Alian\u00e7a<\/em><\/span>. A a\u00e7\u00e3o foi estendida e confirmada, em 2015, por meio de uma marca corporal impressa em suas m\u00e3os; seus nomes gravados como ilustra\u00e7\u00e3o da coliga\u00e7\u00e3o admitida. O fato de Paulo levar o nome \u201cTales\u201d em sua pele e vice-versa, mantendo a caligrafia de cada um a assinar seu pr\u00f3prio nome, converte seus corpos em documentos matrimoniais, como se, na carne, reafirmassem a assinatura do contrato de casamento. O objeto final, gerado a partir da tatuagem, \u00e9 um d\u00edptico f\u00edlmico com cenas cotidianas registradas, onde cada um aborda a sua narrativa hist\u00f3rica da comunh\u00e3o com o outro, inclusive o dia de tatuarem seus nomes. <span style=\"color: #cc9900;\"><em>Compromisso<\/em><\/span> \u00e9 nome dado a essa \u00faltima cria\u00e7\u00e3o dos dois, sendo um trabalho que pontua uma intensa parceria a embaralhar arte e vida; tudo se mistura na vida dos dois artistas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-743 size-large\" title=\"Suzana Queiroga e Paulo Aureliano da Mata (Cia. Excessos), &quot;Em Voc\u00ea&quot; (D\u00edptico), do &quot;Cap\u00edtulo oito: Em Voc\u00ea&quot;, do &quot;Livro da Mata&quot;, 2013. Registro fotogr\u00e1fico de Rafael Leal e Tales Frey.\" src=\"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/ciawp\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/suzana-queiroga-paulo-aureliano-da-mata-em-voc\u00ea-1024x452.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"283\" \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\">Suzana Queiroga e Paulo Aureliano da Mata (Cia. Excessos),\u00a0<span style=\"color: #80a3db;\"><strong>Em Voc\u00ea<\/strong><\/span>\u00a0(D\u00edptico), do\u00a0<em>Cap\u00edtulo oito: <span style=\"color: #80a3db;\">Em Voc\u00ea<\/span><\/em>, do\u00a0<em>Livro da Mata<\/em>, 2013. Registro fotogr\u00e1fico de Rafael Leal e Tales Frey<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Outro corpo tamb\u00e9m conectado ao de Paulo atrav\u00e9s do recurso da tatuagem \u00e9 o da artista carioca Suzana Queiroga. <span style=\"color: #80a3db;\"><em>Em Voc\u00ea<\/em><\/span>\u00a0(2013) \u00e9 um d\u00edptico fotogr\u00e1fico elaborado a partir de uma tatuagem comum entre os dois artistas para marcar um elo de uma intensa rela\u00e7\u00e3o de amizade nascida em 2012. Por meio de conversas di\u00e1rias entre os dois, ela prop\u00f4s um desenho de uma forma c\u00edclica, o qual fez parte da sua videoperformance\u00a0<em>Olhos d\u2019\u00c1gua<\/em>\u00a0(2013), tornando, dessa forma, a sua inven\u00e7\u00e3o uma tatuagem para estampar os dois corpos. Ent\u00e3o, uma fotografia de cada um deles marcados com a mesma tatuagem nas costas (pouco abaixo da nuca) com seus rostos voltados para uma determinada paisagem expressiva designaria a composi\u00e7\u00e3o de um livro de imagens organizado em coautoria, sendo que a fotografia de um seria a capa e a do outro a contracapa. A ideia \u00e9 que ambos estivessem se olhando atrav\u00e9s das p\u00e1ginas interiores da obra quando o livro estivesse fechado e, ao abrirmos o fasc\u00edculo, n\u00f3s, leitores, mergulhar\u00edamos no universo particular de cada um deles.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Por fim, a obra deixou de servir a um livro e, hoje, \u00e9 simplesmente um registro fotogr\u00e1fico de cada um deles postos lado a lado para formar um d\u00edptico, significando uma conex\u00e3o entre os dois atrav\u00e9s da sobreposi\u00e7\u00e3o imag\u00e9tica nas distin\u00e7\u00f5es de cada um dos retratos em que est\u00e3o de costas sem exibirem seus rostos, ressignificando o discurso de Arist\u00f3fanes presente em\u00a0<em>O Banquete<\/em>\u00a0de Plat\u00e3o para um contexto que ultrapassa o v\u00ednculo de dois amantes, exibindo um agudo v\u00ednculo de amizade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Outras duas obras concebidas respectivamente entre 2014 e 2015,<em> El Minotauro<\/em> <em>#4<\/em> e <span style=\"color: #e04ec3;\"><em>Eu<\/em> <em>Gisberta<\/em><\/span>, s\u00e3o trabalhos que tamb\u00e9m envolvem a tatuagem como for\u00e7a motriz da transmiss\u00e3o substancial das suas abordagens. <em>El Minotauro<\/em> <em>#4<\/em> (2014-2015) \u00e9 uma videoperformance em que o artista exp\u00f5e uma caricatura de si mesmo como um ser h\u00edbrido atrav\u00e9s de um desenho fixado na sua pele pela t\u00e9cnica da tatuagem, onde apresenta-se metade animal, metade humano. Com <span style=\"color: #e04ec3;\"><em>Eu<\/em> <em>Gisberta<\/em><\/span> (2015), o artista empresta seu corpo como estandarte de revolta com rela\u00e7\u00e3o ao ser humano considerado ign\u00f3bil numa sociedade amparada por l\u00f3gicas machistas, heteronormativas, faloc\u00eantricas, bin\u00e1rias e pelos consequentes atos discriminat\u00f3rios.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-502 size-large\" title=\"Paulo Aureliano da Mata (Cia. Excessos), &quot;El Nacimiento del Minotauro (El Minotauro #4)&quot;, do &quot;Cap\u00edtulo sete: El Minotauro&quot;, do &quot;Livro da Mata&quot;. Body art realizada no Porto, Portugal. Dezembro de 2014. Fotografia de Tales Frey.\" src=\"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/ciawp\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Minotauro-Paulo-Aureliano-da-Mata-1024x682.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"426\" srcset=\"https:\/\/ciaexcessos.com.br\/ciawp\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Minotauro-Paulo-Aureliano-da-Mata-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/ciaexcessos.com.br\/ciawp\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Minotauro-Paulo-Aureliano-da-Mata-300x200.jpg 300w, https:\/\/ciaexcessos.com.br\/ciawp\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Minotauro-Paulo-Aureliano-da-Mata.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\">Paulo Aureliano da Mata (Cia. Excessos),\u00a0<strong>El Nacimiento\u00a0del\u00a0Minotauro (El Minotauro #4)<\/strong>, do\u00a0<em>Cap\u00edtulo sete:\u00a0<span style=\"color: #5e3b1c;\">El Minotauro<\/span><\/em>, do\u00a0<em>Livro da\u00a0Mata<\/em>.\u00a0<em>Body art<\/em>\u00a0realizada no Porto, Portugal. Dezembro de 2014. Fotografia de Tales Frey<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-2935 size-full\" title=\"Paulo Aureliano da Mata (Cia. Excessos), &quot;El Minotauro #4&quot;, do &quot;Cap\u00edtulo sete: El Minotauro&quot;, do &quot;Livro da Mata&quot;, 2015.\" src=\"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/ciawp\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/paulo-aureliano-da-mata-el-minotauro-4-.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\">Paulo Aureliano da Mata (Cia. Excessos), <strong>El Minotauro #4<\/strong>, do <em>Cap\u00edtulo sete: <span style=\"color: #5e3b1c;\">El Minotauro<\/span><\/em>, do <em>Livro da Mata<\/em>, 2015<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Atrav\u00e9s da figura do Minotauro, Paulo avalia a negatividade sexual de determinadas \u00e1reas do seu corpo e a vestimenta como um artefato ligado ao pudor, mesmo quando utiliza, de forma at\u00e9 abusiva, o adorno corporal, ao praticar a sutura de micrope\u00e7as de roupas sobre o pequeno corpo de um Minotauro tatuado em seu antebra\u00e7o direito. O v\u00eddeo exibe apenas o momento de despir a imagem, o desfazer das suturas que, simbolicamente (e tamb\u00e9m literalmente), machucavam a sua pele. Esse trabalho faz parte de sua s\u00e9rie de Minotauros realizada entre 2010 e 2015: <em>El Minotauro<\/em> <em># 1<\/em> (uma polaroide de uma figura feminina a constituir um corpo antropozoom\u00f3rfico apenas atrav\u00e9s da tor\u00e7\u00e3o de membros da sua pr\u00f3pria anatomia); <em>El Minotauro # 2 <\/em>(uma fotoperformance criada em parceria com o artista Manuel Vason, em que Paulo masturba-se na chuva, em meio \u00e0 natureza, com chifres <em>readymades<\/em> arranjados a partir de uma carriola); <em>El Minotauro # 3<\/em> (um cart\u00e3o-postal em que Paulo exibe seu corpo explicitamente nu durante um ato de masturba\u00e7\u00e3o para driblar normas estabelecidas em reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, colocando em xeque os limites do conte\u00fado permitido em uma imagem que circula atrav\u00e9s dos servi\u00e7os dos correios).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-551 size-large\" title=\"Paulo Aureliano da Mata (Cia. Excessos), &quot;Eu Gisberta&quot;, do &quot;Cap\u00edtulo dez: Eu Gisberta&quot;, do &quot;Livro da Mata&quot;. Body art realizada no Porto, Portugal. Maio de 2015. Fotografia de Tales Frey.\" src=\"http:\/\/ciaexcessos.com.br\/ciawp\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/eu-gisberta-paulo-aureliano-da-mata-2-1024x682.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"426\" \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\">Paulo Aureliano da Mata (Cia. Excessos), <span style=\"color: #e04ec3;\"><strong>Eu Gisberta<\/strong><\/span>, do <em>Cap\u00edtulo dez: <span style=\"color: #e04ec3;\">Eu Gisberta<\/span><\/em>, do <em>Livro da Mata<\/em>. <em>Body art<\/em> realizada no Porto, Portugal. Maio de 2015. Fotografia de Tales Frey<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">J\u00e1 a <em>body art<\/em> intitulada <span style=\"color: #e04ec3;\"><em>Eu<\/em> <em>Gisberta<\/em><\/span> n\u00e3o \u00e9 simplesmente uma tatuagem que estar\u00e1 fixada no rosto do artista at\u00e9 o fim de sua vida como forma de ater, em si, uma bandeira em protesto contra toda col\u00f4nia criminosa que condenou \u00e0 morte e \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de abjeto uma transexual chamada Gisberta. Para quem n\u00e3o conhece a triste hist\u00f3ria de Gisberta, trata-se de mais uma v\u00edtima de transfobia que foi brutalmente espancada, torturada por dias consecutivos e arremessada para o fundo de um po\u00e7o cheio de \u00e1gua, de onde n\u00e3o conseguiu escapar e morreu afogada. Gisberta foi assassinada na cidade do Porto (Portugal) em 2006, e os delinquentes que tiraram sua vida foram encobertos pela justi\u00e7a e estado portugueses, taxados como \u201ccrian\u00e7as indefesas\u201d que cometeram uma \u201cbrincadeira que correu mal\u201d. <strong>[1] <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Para al\u00e9m de sua pr\u00f3pria pele, o dispositivo gerado por Paulo a partir do triste acontecimento \u00e9 uma fotografia em que o artista exp\u00f5e o seu rosto tatuado em preto com a inscri\u00e7\u00e3o \u201cGisberta\u201d, enquanto, de olhos fechados, est\u00e1 inteiramente entregue \u00e0s m\u00e3os do tatuador em seu est\u00fadio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Na imagem, vemos uma esp\u00e9cie de l\u00e1pide sobre um t\u00famulo. Sobre o seu olho direito cerrado, a inscri\u00e7\u00e3o do nome escolhido \u00e9 capaz de retumbar, sob uma composi\u00e7\u00e3o metaf\u00f3rica, uma vida que, antes de um aterrador desfecho, persevera. Embora aborde um teor indigesto e assombroso, o trabalho \u00e9 luminoso n\u00e3o s\u00f3 por ser capaz de gerar reflex\u00e3o atrav\u00e9s do seu material fotogr\u00e1fico em exposi\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m por permitir que qualquer um que olhe o rosto do artista procure saber quem \u00e9\/foi Gisberta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Paulo usa o seu corpo como comunicado p\u00fablico de indigna\u00e7\u00e3o sobre homic\u00eddios desculpabilizados por pervertidos sistemas judiciais. Nessa combina\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 \u201cGisberta\u201d e seu ac\u00famulo de exclus\u00f5es sociais que lemos; podemos enxergar outras tantas \u201cGisbertas\u201d que s\u00e3o mortas em contextos diretamente ligados aos crimes motivados por discrimina\u00e7\u00e3o, seja por conta da orienta\u00e7\u00e3o sexual, da etnia, religi\u00e3o ou qualquer particularidade de um(a) determinado(a) indiv\u00edduo(a) que \u00e9, infelizmente, julgado(a) como um ser desprez\u00edvel por um determinado grupo de pessoas intolerantes com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s diferen\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Sobre a pele de Paulo Aureliano da Mata est\u00e1 marcado o seu repert\u00f3rio art\u00edstico em plena exposi\u00e7\u00e3o, como se sua mat\u00e9ria fosse seu portf\u00f3lio, seu caderno de estudo e o seu suporte de interven\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Seja como obra em si ou como rascunho de estudo para um dispositivo estrat\u00e9gico qualquer, o procedimento \u00e9 t\u00e3o \u00e1rduo quanto o assunto que versa, ou seja, a sua metodologia investigativa assume a dor literal de uma decorrente inconformidade que muitas vezes lhe pesa como uma sofrida viv\u00eancia que precisa ser aliviada atrav\u00e9s da arte, mesmo que esse al\u00edvio culmine na intensifica\u00e7\u00e3o da sua mais profunda dor.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>NOTA<\/strong><\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>[1]<\/strong>\u00a0CRESPO, Lara [et al.]. \u201cQuanto vale uma vida Transexual em Portugal?\u201d In: PORTUGALGAY.PT. <strong>Comunicados de Imprensa \u2013 Gisberta assassinada no Porto<\/strong>. [Em linha]. Consultado em 20 de mar\u00e7o de 2015. Dispon\u00edvel em: &lt;<u><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/portugalgay.pt\/politica\/portugalgay71a.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/portugalgay.pt\/politica\/portugalgay71a.asp<\/a><\/u>&gt;.<\/span><\/p>\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; N\u00e3o \u00e9 exclusivamente sobre o peso da fugacidade da exist\u00eancia que Paulo Aureliano da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":12,"menu_order":495,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-16","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ciaexcessos.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/16","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ciaexcessos.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ciaexcessos.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciaexcessos.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciaexcessos.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16"}],"version-history":[{"count":29,"href":"https:\/\/ciaexcessos.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/16\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8546,"href":"https:\/\/ciaexcessos.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/16\/revisions\/8546"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ciaexcessos.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/12"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ciaexcessos.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}