A Ascensão de Remédios, a Bela (2010)

 

Paulo Aureliano da Mata, A Ascensão de Remédios, a Bela (Políptico), Lisboa, Portugal, 2010. Fotografia, 30 x 20 cm cada. Edição: 3 + 2 P.A. cada

 

Palavras não eram ditas e Fernanda sentiu que um delicado vento de luz lhe arrancou os lençóis das mãos e desdobrou-se em toda a sua amplitude. Amaranta sentiu um tremor misterioso nas rendas dos seus saiotes e tentou agarrar-se ao lençol para não cair, no momento em que Remédios, a Bela, começava a elevar-se. Úrsula, já quase cega, foi a única que teve serenidade para identificar a natureza daquele vento irreparável e deixou os lençóis à mercê da luz ao ver Remédios, a Bela, que lhe dizia adeus com a mão, entre o deslumbrante adejo dos lençóis que subiam com ela, que abandonavam com ela o ar dos escaravelhos e das dálias, e passavam com ela através do ar onde acabavam às quatro da tarde e se perderam com ela para sempre nos altos ares onde não podiam alcançá-la nem os mais altos pássaros da memória.

— Gabriel García Márquez, Cem Anos de Solidão

 

HISTÓRICO

[2012] Dzień Światła 2012. Organização e curadoria de Maciej Stawiński. Galeria Otwarta, Wrocław, Polônia.