Este trecho da entrevista com Daniela Labra foi publicado em: AVELAR, Ana; IMPARATO, Marcella (Orgs.) Ativismo curatorial no Brasil. 1. ed. Bauru-SP: Mireveja, 2025.
É o oposto quando pisa no Brasil de volta? Mudou alguma coisa colocar essas instituições europeias no seu portfólio? Mudou a sua experiência no Brasil ou na América Latina enquanto curadora?
Vem mudando. Vou fazer uma exposição enorme 4, em setembro deste ano, a partir da obra da artista Ana Mendieta, uma artista que já faleceu, era cubana norte-americana. Vou fazer essa exposição histórica acompanhada por uma coletiva com vinte artistas identificadas como mulheres. Nossa ideia de mulheridade vai para mais do que discutir se mulher é quem tem vagina; se mulher é quem menstrua… A gente não está interessada nem um pouco em uma categoria definitiva do que é ser mulher, mas entendendo a mulher e a mulheridade, o feminino, dentro das suas possibilidades arquetípicas, ecológicas, enfim, e tantas outras. Convidei como curadora adjunta a Hilda de Paulo, uma mulher trans, artista, pesquisadora, teórica, que conheço há muitos anos. Trabalho com a Hilda há um tempão. Comecei a desenvolver essa proposta com uma certa radicalidade com a Hilda, que mora no Porto também há 15 anos. Estamos encarando essa discussão de uma forma profunda, aberta, estendida, para somar. A gente está fazendo esse projeto com um potencial de discussão imenso. Acho que existe um certo glamour da pessoa que mora fora, que venceu na Alemanha. Mas é uma bobagem, a gente rala muito, tem que pisar bem forte para você poder ser reconhecido.