Tales Frey

Cento e Trinta e Duas Figuras Corpóreas Como Mediações Sígnicas (2020)

 

Tales Frey, Cento e Trinta e Duas Figuras Corpóreas Como Mediações Sígnicas, 2020. Videoarte, 2’48”. Edição: 15 + 2 P.A.

 

Esta videoarte foi criada em âmbito da licenciatura em Teatro da Universidade do Minho, para onde fui convidado para ministrar uma disciplina prática (Laboratório 6), através da qual recebi plena liberdade para elaborar uma obra juntamente com as(os) alunas(os) do curso.

Como inicialmente haveria uma parceria entre duas instituições de contextos distintos e distantes (Universidade do Minho e Buffalo State – The State University of New York), eu tinha como objetivo criar partituras coreográficas que pudessem ser ativadas em qualquer parte do mundo e por qualquer grupo de pessoas e tais partituras surgiriam com base na proposição Corpo Coletivo (1970) de Lygia Clark e culminaria em uma estrutura que unisse performers e audiência através de linhas (mencionando a Clark) e os envolvessem em invólucros diversos que retomariam a minha criação Conjunto Sensível (2018), para que as noções sobre democracia ocorressem de modo prático em uma obra coreográfica, escultórica e sensorial que harmonizasse singularidades distintas.

Eis que cinquenta anos depois da obra de Clark, o planeta está a atravessar uma pandemia que nos faz evitar contatos físicos para que a velocidade da propagação de um vírus seja contida e, assim, vimo-nos obrigados a transformar completamente o nosso processo criativo, migrando da experiência tátil para a virtual e, assim, a parceria entre as instituições acabou por não calhar neste momento.

Ainda que tenhamos mantido motes anteriormente iniciados, transitamos do que vislumbrávamos para acontecer como uma ação ao vivo para a videoperformance e, posteriormente, para a videoarte, tendo como referenciais estéticos alguns/algumas artistas: André Lepecki, Erwim Wurm, Hélio Oiticica, Loïe Fuller e, evidentemente, Lygia Clark. Dos encontros on-line e das nossas reclusões em nossos lares, utilizamos materiais que estavam ao nosso alcance (trajes e acessórios monocromáticos, lençóis brancos e câmeras e gravadores de aparelhos de celular) para produzirmos imagens que exprimissem a circunstância na qual estamos inseridas(os), considerando as noções de real e virtual, de distanciamento e aproximação, de tempo efêmero e tempo duradouro, liberdade e aprisionamento, diferenças e padrões etc.

Os corpos comparecidos no vídeo formam um conjunto entrelaçado de colagens de signos, dificilmente podendo ser analisados de modo singular, uma vez que o emaranhado das fisicalidades híbridas misturam pessoas com adornos/indumentos numa estrutura na qual não sabemos a quem uma voz pertence realmente e tampouco conseguimos intuir ao certo de que lugar provém um determinado ruído doméstico, pois os ambientes são quase idênticos em tonalidades brancas.

Instruídos, onze performers elaboraram doze diferentes figuras corpóreas cada, totalizando cento e trinta e duas estruturas físicas e, embora vejamos claramente que são corpos separados que se juntam, uma vez juntos, não os deciframos separados.

 

FICHA TÉCNICA

Proposição de Tales Frey | Performers (criação de textos e construções corpóreas): Beatriz Marinho, Joana Delgado, João Arsénio, Joshua Swift, Júlia Antunes, Maria Maciel, Marcia Fernandes, Marta Oliveira Pinto, Nádia Monteiro, Natalie Hofmann e Sophia Ferreira | Porto/Guimarães, Portugal 2020